E viveram felizes para sempre

E viveram felizes para sempre

Uma reflexão sobre o casamento
O ser humano passa por várias etapas de desenvolvimento em seu ciclo vital. O casamento é uma delas.
Somos criados ouvindo lindas estórias de amor em filmes, novelas e livros, onde os eternos apaixonados, casaram-se “e viveram felizes para sempre”. Normalmente as histórias terminam aí, transmitindo a ideia que após o casamento tudo será maravilhoso. O que realmente acontece após o casamento quase nunca é narrado, pouco se fala sobre isso.

Na primeira fase do relacionamento amoroso, a da paixão, geralmente, o que está em jogo é “quero ser feliz e você certamente vai me dar essa felicidade”, e “eu sou certamente tudo o que o você precisa para ser feliz”. Nesta fase é natural fazer muitos planos, tudo parece mágico. As diferenças individuais não contam, as atitudes que desagradam são relevantes. O que realmente importa é o desejo que um tem pelo outro. Essa fase é fundamental pois facilita o encontro entre as pessoas e abre um campo fértil para as vivências psicológicas profundas que como poucas experiências humanas, a troca afetiva e emocional entre um homem e uma mulher possibilita.

Com o gradual aumento da intimidade do casamento, começam aparecer a diferenças. Se na paixão eles pareciam idênticos, como entender as diferenças que começam a surgir? Então, começam a viver um outro momento de seu relacionamento, que é marcado pelo sentimento de decepção. Decepcionados e perplexos, o casal tenta cada um de seu jeito, formas de restaurar a antiga promessa de felicidade, ainda com a antiga figura idealizada do outro. Mas nesta fase ainda permanece o desejo e a esperança de que o cônjuge poderá a qualquer momento, magicamente voltar a ser aquele príncipe ou princesa.

Os dias transcorrem e começam a descobrir que tornar-se um casal é uma difícil tarefa mesmo, e que “viveram felizes para sempre” era apenas um mito.
Alguns casais conseguem elaborar essa desilusão como um tributo necessário ao desenvolvimento do vínculo conjugal, reformulando as bases psicológicas sobre as quais a relação se formou. Porém, se a visão romantizada persistir pode aumentar as dificuldades desse momento. Aí os problemas podem permanecer escondidos apenas para intensificar-se e vir à tona mais tarde.

Para viver bem, cada casal precisa construir um caminho. É necessário haver um ajustamento conjugal. Por isso, os primeiros anos de casamento são cruciais. O casamento requer que as duas pessoas juntas renegociem uma grande quantidade de questões que antes definiram para si mesmas em termos individuais, ou que foram definidas pela família de origem, tais como quando e como comer, dormir, conversar, fazer sexo, brigar, trabalhar e relaxar. O casal precisará decidir a respeito das férias, das finanças, de como utilizar os espaços e o tempo, e essas decisões não podem ser determinadas numa base individual. Com o casamento o casal terá também que renegociar os relacionamentos com pais, irmãos amigos, famílias, onde comemorar datas especiais, feriados, etc….
Diferente da ideia romântica que muitos têm, não há casamentos que não passem por crises.

Também é fato, que ao longo dos anos o par passa por transformações. Algumas maiores, outras menores, mas sempre há algo novo acontecendo. As vezes um amadurece num ritmo diferente do outro, ou um cresce profissionalmente mais rapidamente que o outro. Mudam-se os tempos, mudam-se os interesses, as pessoas se renovam e é preciso que o vínculo também passe por uma renovação.

As mudanças causam angústias, e sempre que passamos por alguma transformação importante precisamos de um tempo para elaborar e assimilar as mudanças, para somente depois seguirmos em frente.
Não existe uma relação perfeita. No dia a dia de uma vida comum as relações são testadas, e o amor é posto à prova. É preciso que o casal cuide do relacionamento. Respeito, lealdade, honestidade, união e vontade de manter o par, abrindo espaço para as mudanças ocasionadas pela passagem do tempo, são fundamentais para que possam enfrentar as dificuldades que surgirão.
Portanto, a paixão aproxima e une, mas é necessário que o casal ao longo do tempo vá reformulando a base idealizada sobre a qual a relação se construiu. A idealização do parceiro escolhido está sempre presente nos casais, com maior ou menor intensidade, sendo a decepção com o outro diretamente proporcional ao nível da idealização. O desenvolvimento do vínculo conjugal dependerá da capacidade da dupla de lidar com as frustrações com que se depararão quando a imagem idealizada não corresponder mais ao comportamento do outro; e também dependerá da condição psicológica dos parceiros para reestruturarem o vínculo em bases mais reais.

Há casais que consegue lidar com as crises e permanecem juntos por muitos anos. Mas há outros que não conseguem encontrar uma maneira de permanecerem juntos.
A terapia de casal pode ser benéfica para muitos casais em crise. O objetivo é auxiliar a dupla a identificar suas possibilidades de modificarem a história atual. Muitas das dificuldades podem ser advindas do padrão de relacionamento que aprenderam em sua família de origem. Liberando-os individualmente de suas amarras com suas famílias de origem, muitas dificuldades podem ser resolvidas. Para outros casais, a terapia pode ajudar a descobrir quais os padrões de funcionamento criaram juntos. Por exemplo, muitos indivíduos acreditam que um parceiro é mais responsável do que o outro pelas dificuldades do casal. Se cada um for capaz de compreender qual o papel desempenhado por ele na relação, poderá empenhar-se para mudar e não esperar que somente o outro mude. O confronto e a negociação das diferenças oportunizam ao casal um momento de crescimento e fortalecimento da relação. O confronto muitas vezes é necessário pois muitos problemas parecem ocorrer quando, durante muitos anos, os cônjuges estiveram empenhados em evitar tais confrontos, em nome de não brigarem ou de uma pseudo-harmonia. Nesses casais parece ocorrer uma relação de distanciamento, congelando juntamente com os afetos hostis os afetos amorosos.

2 Comments

  1. LUCIA CARDOZO

    Amore….Parabéns, lindo texto….em alguns momentos parecia a minha historia…realmente…muitos foram os confrontos que afetaram meu relacionamento com meu esposo…mas graças a Deus, aprendi a ser uma boa esposa e uma boa mãe…você pode escrever um livro amore….eu sou a segunda a comprar..o seu pai sera o primeiro rsrsrsrs…amo vc

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