Mentira compulsiva

Mentira compulsiva

A mentira é um comportamento que acompanha a humanidade desde os tempos mais remotos.
Não falar a verdade em algumas situações pode até ser uma maneira eficaz de garantir o bom convívio no dia a dia e nos preservar. A franqueza é uma qualidade louvável, desde que não se transforme numa grosseria. Não devemos dizer tudo o que pensamos, pois isso poderia trazer tristeza e mágoa às outras pessoas. Por exemplo: às vezes ganhamos um presente de uma pessoa com quem não temos muita intimidade. Numa situação como essa, não seria polido dizer que não gostamos. Para uma boa convivência, é necessário analisar o que falar e como falar. Algumas omissões são necessárias para evitar um desentendimento ou uma indelicadeza.
No nosso dia a dia, é muito comum encontrarmos pessoas contando mentiras a todo momento. Às vezes para se livrar de uma situação difícil, para se dar bem, ou mesmo para continuar a receber vantagens, ou até não ser punido, dentre tantos outros motivos.
Há aquelas pessoas que frequentemente mentem sobre si mesmas, para tentar criar uma imagem melhor. Nesses casos, a primeira vista, a mentira pode parecer encobrir a verdade, mas na verdade ela revela a verdade; revela que há conflitos interiores. A mentira nesses casos está exprimindo a luta que a pessoa empreende para manter a sua autoestima.
Porém, há muita gente que leva a vida na base da mentira, não sabem se relacionar sem mentir, sentem uma necessidade incontrolável de se desviar da verdade. Nesses casos, a mentira não é exatamente uma opção. Tais pessoas aprenderam este comportamento em algum momento da vida e vão repetindo ao longo do caminho. Esses quadros podem configurar um transtorno de personalidade.

Mentir é um vício para muitas pessoas! Há indivíduos que não conseguem manter um relacionamento livre de mentiras.

A mentira compulsiva é um desses transtornos da personalidade. O mentiroso compulsivo é uma pessoa que tem uma tendência incontrolável para contar inverdades, mesmo que isso não lhe proporcione nenhum tipo de vantagem. Não tem controle sobre seus impulsos e, muitas vezes, mete-se em situações em que não há motivo algum para mentir. Mente por mentir! Começa a inventar histórias e mais histórias, chegando ao ponto de ela própria acreditar em suas invenções. Fala com tanta convicção que as pessoas que estão a volta começam a ter dúvidas se elas não estão enganadas, ou não se confundiram. Os dependentes da mentira não conseguem se controlar, num processo que se manifesta de uma forma muito semelhante ao do vício do jogo ou à dependência de álcool ou de drogas.
Pode-se afirmar que, a principal característica desses indivíduos é a baixa autoestima. São indivíduos muito inseguros, a ponto de a necessidade de mentir compulsivamente estar relacionada a um sentimento de inferioridade em relação ao valor que esse sujeito atribui às outras pessoas, ou seja, tais pessoas se veem com pouca importância em relação aos demais e, para aplacar a angústia, criam para si outro mundo paralelo, completamente irreal. O que move essa compulsão é uma grande necessidade de o indivíduo ser admirado.

A mentira pode ser uma forma de escapar de uma realidade tão difícil! Por trás da mentira está uma dificuldade da pessoa se defrontar com sua realidade.

São pessoas que têm muita dificuldade para lidar com derrotas e encarar seus problemas. Também encontram dificuldade para tomar decisões devido à falta de autoconfiança.
A vida de uma pessoa assim acaba por ser afetada em todos os aspectos: no trabalho, nas relações amorosas e familiares, nas questões financeiras. Isso porque ela fica desacreditada por todos que a rodeiam e as relações sociais acabam prejudicadas.
Há vários motivos que levam alguém a esta condição. Para a maioria desses indivíduos faltou uma relação íntima com uma pessoa significativa na infância.
Há uma diferença crucial entre o mentiroso compulsivo e o mentiroso consciente. O primeiro mente em todas as áreas de sua vida: trabalho, amor, amigos e família. Não tem motivo, tampouco controle para a mentira, mente por mentir. Mente tanto que até acredita em suas mentiras, criando um mundo paralelo para si. Já o mentiroso consciente sabe que não está falando a verdade, mente para ter um benefício específico, apenas sobre assuntos ou fatos determinados.
Vale dizer que o mentir também é uma das características da psicopatia. Os psicopatas são pessoas que estabelecem relações muito facilmente, porém as desfazem com igual facilidade, sempre que essas relações não lhe forem mais convenientes ou necessárias, fazendo com que todos os seus relacionamentos sejam desprovidos de qualquer profundidade ou significado, incluindo-se aí os casamentos. Para essas pessoas, o ato de mentir é sentido como lícito, desde que lhes traga vantagens, independente do mal que possam fazer ao outro, já que mentem sistematicamente e aparentemente sem razão.

Qual o tratamento?
Viver uma vida de mentiras é um problema que merece uma atenção toda especial. A incapacidade em controlar os impulsos é causadora de um sofrimento nítido; este deve ser, portanto, o alvo do tratamento. Nos dependentes da mentira, o primeiro passo a ser dado consiste em assumir que existe um problema. O tratamento é a psicoterapia.
Porém, na realidade, é muito difícil que esses indivíduos procurem ajuda especializada. A maioria acha que não precisa de ajuda, pois acredita que não faz mal a ninguém.
As pessoas que convivem com as mentiras costumam se angustiar bastante. Se você convive com alguém que mente compulsivamente, deveria incentivá-la a buscar ajuda emocional. Tais pessoas só sabem se relacionar mentindo e não conseguem fazer diferente, por isso então o melhor a fazer é oferecer-lhe ajuda, encaminhando-as a um especialista nesta área.  Mas a verdade é que a pessoa tem que querer ser ajudada para que o tratamento funcione.

1 Comments

Comente

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>