Como falar com as crianças sobre a separação dos pais?

Como falar com as crianças sobre a separação dos pais?

Muitos casais escolhem a separação como solução para a insatisfação conjugal. Porém pouquíssimos são os cônjuges que estão preparados para o impacto emocional dessa decisão. O momento da separação costuma ser muito difícil. Na maioria das vezes, os cônjuges estão lutando com seus próprios sentimentos de fracasso, raiva, culpa e perda, sentindo-se infelizes, frustrados, incompetentes, aprisionados e angustiados.
Frequentemente, a separação ocasiona uma crise, tanto na família nuclear, afetando e envolvendo de vários modos todos os membros, quanto na família ampliada (pais, avós, tios, sogros…).

E, se o casal tem filhos, pode surgir um impasse: contar ou não para as crianças?
Sabemos que é um momento difícil para todos, porém a criança precisa saber a verdade. Embora em muitos casos os pais estejam deprimidos, angustiados e tenham dificuldades em falar no assunto, se a decisão pela separação já foi tomada, é muito importante, que os pais, se possível juntos, comuniquem-na aos filhos, mesmo que as crianças sejam pequenas.

Muitos pais mentem em nome do “bem” da criança, dizendo que o pai (ou a mãe) foi viajar, ou que está trabalhando, inventando, enfim, desculpas inverídicas. Mas, quando os pais guardam para si o “segredo”, algumas crianças poderão ficar angustiadas, principalmente se são pequenas, pois estas ainda têm dificuldades em distinguir a imaginação da realidade, são mais vulneráveis à culpa e à confusão, o que pode ocasionar sintomas.

Como os pais podem resolver esse problema?
Os pais podem falar ao filho que o casal não mais viverá junto na mesma casa, mas que os dois continuarão com as responsabilidades de pais. Devem usar palavras simples e claras, avisando também quando iniciarem o processo legal.
Devem explicar ao seu filho a diferença entre os deveres de pais e os compromissos de marido e mulher. O filho precisa saber que dali em diante os pais terão outros direitos. Não terão mais a obrigação de viver sob o mesmo teto, ou o dever de fidelidade, mas continuarão com os direitos e deveres de pais. Eles deixarão de ser marido e mulher, mas sempre serão pais da criança, só que agora vivendo em casas separadas.
Os filhos precisam de um relacionamento qualitativo e contínuo com ambos os pais, para que tenham certeza de que continuam sendo amados e bem cuidados, e isso costuma ser sempre um grande desafio!

Quando a verdade é dita por ambos os pais, e estes permitem que a criança possa expressar suas emoções, com o tempo, apesar da tristeza inicial, as crianças vão lidando bem com a situação. Porém, quando esse processo não é bem elaborado, algumas crianças poderão ficar emocionalmente prejudicadas, podendo regredir de várias maneiras, como por exemplo: molhar a cama, chupar o dedo ou a chupeta, ter medo, apresentar apego excessivo, exibir problemas escolares.

Quando os pais se separam e os filhos são pequenos, sugiro que, quando possível, grandes alterações de rotina sejam evitadas num primeiro momento. Por exemplo: seria melhor que a criança permanecesse na mesma casa onde a família residia, pois ficaria mais fácil dar continuidade ao cotidiano anterior. Também, se for possível, é aconselhável, neste primeiro momento, não haver mudança de escola, pois seria mais uma mudança a ser assimilada pela criança, que perderia também os antigos amigos e a rotina. Portanto, seria melhor se as mudanças fossem graduais. Porém, quando isso não for possível, é preciso ajudar a criança a lidar com todas essas adversidades.

Apesar das desavenças, os pais devem aprender a conversar, tendo em mente sempre o que é melhor para a criança. Agora não serão mais um casal, mas sempre serão pais da criança, e terão que aprender a separar uma coisa da outra.

Sabemos que muitas separações se transformam em verdadeiros “cavalos de batalha”, e o pior: muitos pais utilizam o filho como fator de briga, ou o colocam contra o ex-cônjuge. Em muitos casos, como ainda há muita mágoa não elaborada, estes poderão estar muito mais à procura de pretextos para brigar do que em busca de encontrar soluções justas para os seus filhos. Em tais casos pode ser necessário buscar ajuda especializada para mediação de conflitos visando melhores alternativas para as crianças envolvidas.

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