A menina e o pássaro encantado

A menina e o pássaro encantado

Quando eu tinha 20 e poucos anos, tive a oportunidade de fazer análise com o saudoso Rubem Alves. Eu era uma garota que demorava a entrar num relacionamento, mas quando gostava de alguém, mergulhava de cabeça. 

Certo dia, fui para minha análise toda desconsolada, sofrendo por uma grande paixão. Rubem Alves ouviu a história do meu sofrimento daquele dia, calmamente se levantou, dirigiu-se a uma grande estante, que ele tinha em seu consultório, pegou um pequeno livro, e o leu para mim. Tratava-se do livro de autoria dele: “A menina e o pássaro encantado”.

Dizia que, havia uma menina que amava um pássaro encantado e que sempre a visitava e lhe contava estórias, o que a fazia imensamente feliz. Mas chegava um momento, em que o pássaro dizia: ‘Tenho que ir’. A menina chorava porque amava o pássaro e não queria que ele partisse. Sofrendo a dor da saudade, ela maquinou um plano.  Quando o pássaro voltou, naquela noite e lhe contou estórias, antes de ir dormir, ela o prendeu em uma gaiola de prata, dizendo: ‘Agora ele será meu para sempre’. O pássaro, sem poder voar, perdeu as cores, perdeu o brilho, perdeu a alegria, não tinha mais estórias para contar. E o amor acabou. Levou um tempo para que a menina percebesse que ela não amava aquele pássaro engaiolado. O pássaro que ela amava era aquele que voava livre e voltava quando queria. Ela, então, soltou o pássaro, que voou para longe”.

Aquela sessão me fez muito sentido e muitas foram as situações que eu vivi em que a ressignifiquei. 

Às vezes gostamos tanto de alguém que queremos aquela pessoa perto da gente o máximo de tempo possível, não é? 

Aprendi naquela época que deixar a pessoa livre nos traz muitas respostas.  Os afastamentos podem, sim, ser muito dolorosos para aqueles que amam! Contudo, além da saudade, eles podem trazer respostas.  É na liberdade que a verdade vem à tona. Por experiência própria eu lhe digo que nem sempre a verdade é aquela que gostaríamos de conhecer. Mas lidar com a verdade é sempre melhor do que ser enganado pela ilusão. 

Nunca, em hipótese alguma, queira prender alguém ao seu lado. Amor pressupõe liberdade. Deverá permanecer com você quem realmente quiser. A liberdade é um ingrediente importante no amor. Com esta lição, que aprendi ainda jovem, pude ensinar a muitas outras pessoas. 

Hoje em dia, temos a questão das conexões via WhatsApp e redes sociais. No consultório vejo que há aqueles que desejam se conectar o dia todo com a outra pessoa. Isso pode “matar o amor”. 

Aprenda a respeitar a outra pessoa. Dê-lhe liberdade! 

Invista o tempo em você, em seu desenvolvimento, tenha uma vida mais interessante!

 

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