São as diferenças que fazem a individualidade de cada ser humano.

São as diferenças que fazem a individualidade de cada ser humano.

Quando eu tinha uns 8 anos, eu tinha amiga, que, para mim, representava o que se denomina BFF (Best Friend Forever), na gíria das meninas de hoje. A gente conversava bastante e, mal entrávamos em casa, uma já telefonava para a outra; os assuntos não faltavam entre nós e a sensação de bem-estar ao estarmos juntas acredito que era recíproca. 

Um feriado se aproximava e eu logo tive a brilhante ideia de convidar minha amiga para passar o feriado comigo em um retiro da igreja que eu frequentava. Conversei com ela, e ela pareceu se animar, disse que iria pedir para a mãe. 

No outro dia, me lembro bem da resposta que ela me trouxe: “Minha mãe me disse que podemos ser amigas, mas se cada uma ficar na sua religião.”  Eu era uma criança e a única coisa que eu queria era passar bons momentos com a minha amiga. Nem eu e nem ela entendíamos essas divisões, a gente só sabia que era gostoso para nós duas estarmos juntas. 

Num outro episódio marcante da minha infância, eu estava conhecendo uma nova amiguinha e, ao dizer meu nome, ela me respondeu: “Minha mãe me ensinou que não existe nome feio, existe nome diferente.”  rsrsrs… Desde que me conheço por gente, tive que repetir muitas vezes o meu nome; sabia que era diferente, mas aquela fala, com aquele tom, me fez sentir aceita na minha diferença.  

Você percebe a diferença na educação dessas meninas? Uma mãe ensinando a filha a se relacionar com preconceito e outra ensinando a aceitar as diferenças. 

Devido a algumas questões peculiares, desde muito pequena eu tive que aprender a lidar com alguns preconceitos, e hoje percebo que enfrentar adversidades fez de mim uma pessoa mais forte. Muitas foram as marcas, mas aprendi alguns princípios importantes. Hoje, compreendo muitas queixas que eu ouço no meu consultório, por ter estudado muito, mas também por ter vivenciado, enfrentado e superado muitos desafios.  

Eu tenho um filho pré-adolescente. Mas desde muito pequeno eu o ensino a respeitar as diferenças entre ele e os amiguinhos. Vou conversando com ele no dia a dia e lhe mostrando que a religião, a cor, o peso, dentre tantas outras coisas são apenas diferenças, e que as diferenças podem ser muito enriquecedoras.   São as diferenças que fazem a individualidade de cada ser humano. E que, o que realmente importa, é a essência, o coração, o que sentimos, enquanto estamos na companhia dessas pessoas.  

Muitos de nós, mesmo adultos, ainda passamos por algumas situações de preconceitos. E a única coisa que podemos fazer é aprender a lidar com essas situações. 

Quantas pessoas deixam de nos conhecer nossa essência por puro preconceito? Elas nos julgam pela nossa aparência, religião, cor etc. Sem nem nos dar sequer a chance da proximidade. É uma pena que isso ainda aconteça!

Eu não sou perfeita e sei que sozinha não mudo o mundo, mas sei que posso fazer algo de bom no meu entorno.  Além de educar meu filho, sempre que posso converso com meus sobrinhos também sobre o respeito às diferenças. Também faço o que posso, escrevendo textos e levando informações sobre como se relacionar melhor, para o maior número de pessoas possível. 

E você, deixa de se relacionar com outras pessoas por preconceito? Como tem educado seus filhos? Que exemplo dá a eles? #reflita

E se, no seu caso, você tem sofrido por preconceitos, eu lhe digo: só permaneça onde há respeito, onde você é aceito em sua essência.  Todos temos nossas características, defeitos, imperfeições, diferenças, manias, mas podemos ser amados como nós somos. 

Saiba que, nosso corpo pode ter uma característica ou um jeito de ser diferente, ou termos algum sintoma diferente; podemos ter cicatrizes, nosso coração pode ter sido machucado, mas podemos sempre olhar com orgulho para nós mesmos, nos aceitarmos e nos amarmos como nós somos. É preciso mostrar ao mundo que nossas cicatrizes podem ser vistas como troféus, pois elas contam a nossa história, elas comprovam que nós sobrevivemos.

 

Comente

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>